Acções

O plano de acções é, necessariamente, muito genérico quer porque os intervenientes não desejam revelar intenções antes da altura certa, quer porque a sua realização dependerá da efectiva política de IDTI a adoptar pela região no próximo programa-quadro. São aqui apresentadas algumas acções já discutidas mas uma lista mais alargada só será publicada com o acordo dos participantes do painel.  Por outro lado, vários elementos do painel, propuseram que uma das primeiras acções a realizar fosse o levantamento de todos os interessados na área (stakeholders) e promover um inquérito para avaliar do interesse na participação e recolha de eventuais propostas de acção.  Assim, pretende-se nesta fase evitar particularizar em demasia as acções, que teriam sempre maior incidência nas propostas dos membros do painel.

As acções inseridas na área desenvolvem-se nas três linhas apresentadas anteriormente e apenas são apresentadas como exemplo. Pretende-se essencialmente abrir o caminho para a inserção de novas acções e novos parceiros. As acções são apresentadas e explicadas de acordo com a divisão das verbas pela formação avançada, contratos programa e projectos de consórcio. Serão ainda apresentadas sugestões que complementam estas acções.

Formação avançada (10%) – 3,53M€

O desenvolvimento de uma área de investigação associada a uma área económica pressupõe em primeiro lugar uma aposta na formação e, nomeadamente, na formação avançada.  Uma aposta de futuro exige sempre dispor de recursos humanos especializados. Portugal foi o país da Europa que mais cresceu em termos de licenciados nas áreas das ciências, mas esta posição lisonjeira apenas traduz o atraso que o país apresenta nesta área. Continuamos a ter cerca de metade dos licenciados que deveríamos ter para atingir a média europeia e a aposta deve continuar a ser na formação avançada.  No entanto, também é reconhecido que a evolução da estrutura económica não tem acompanhado a evolução da formação. Por poucos licenciados que o país tenha, serão sempre demasiados se a economia se basear em mão de obra não qualificada. Assim, a aposta na formação avançada deve “obrigatoriamente” ser enquadrada num plano de evolução estratégica da própria economia, que é o que se pretende atingir com este plano.

Sendo assim, a formação avançada tem por base o enquadramento actual (em que a formação é parcialmente subsidiada pelo estado) mas vira-se para a visão que se pretende atingir em termos da área da Tecnologia e Inovação Industrial.  Há pouco mais de 10 anos ainda eram poucas as empresas da região que absorviam licenciados das áreas técnicas, mas o panorama está a mudar rapidamente.  Por outro lado, a maioria dos laboratórios da região estão associados a esta área que nitidamente é das que mais emprega mão-de-obra de formação avançada e que necessita de um contínuo enquadramento e evolução.

Tendo ainda em conta que a principal base económica da área é o sector agro-alimentar e que é previsível uma nova pressão dos preços dos alimentos nos próximos 5 anos, propomos acções específicas tendentes a criar massa crítica nesta área.

Acções propostas:

  • Criação de um curso de 1 ciclo no âmbito da Tecnologia e Inovação Industrial, com forte componente na área agro-alimentar, envolvendo laboratórios, universidade e empresas da região. Esse curso deveria ser previsto para ser lançado em 2016 e, seguindo os actuais critérios de formação universitária poderia envolver até 80 licenciados (em 2020) com um custo total de cerca de 960 m€ (cerca de 4000€/aluno.ano).
  • Lançamento de um curso de 2 ciclo, associado à área e a lançar em 2015 (com abertura a licenciados de outras áreas técnicas) e com um ciclo bianual (abertura do curso apenas de 2 em 2 anos).  Preferencialmente este curso deveria ser lançado em colaboração com instituições universitárias estrangeiras, preferencialmente Espanha (Canárias).  O objectivo seria o de formar até 2020 de cerca de 60 pessoas, com um custo estimado de cerca de 480 m€ (cerca de 4000€/aluno.ano)
  • Apoio à formação de doutorados na área, preferencialmente com projectos de investigação com interesse para a economia regional, eventualmente realizados em projectos de consórcio. Estima-se como número razoável, a existência de 3 estudantes de doutoramento, envolvendo cerca de 20 até ao ano 2020. Custos estimados: 640 m€ (cerca de 8000€/aluno.ano)
  • Formação avançada de duração mais curta (nomeadamente PG), com formação de até 80 pessoas com um custo estimado de cerca de 120 m€ (1500€/pessoa). Esta formação envolveria preferencialmente licenciados já a trabalhar e teria por objectivo a adaptação a novas tecnologias e novas aprendizagens.
  • A estas acções seriam ainda acrescentados um programa de bolsas de enquadramento na investigação para a indústria (contratação de jovens investigadores), que envolveriam, numa base anual: 5 licenciados, 4 mestres e 3 doutorados e cujos custos se estimam a cerca de 1340 m€.

Contratos programa (25%) – 8,83M€

Nesta proposta os contratos programa são valorizados porque pensamos que será a melhor forma de se atingirem a curto prazo objectivos específicos para a área. Para cada acção a desenvolver seriam estabelecidos objectivos próprios e poderiam envolver cenários diferentes, incluindo a formação ou a divulgação internacional. São apenas apresentadas algumas áreas em que se justificaria o aparecimento de contratos programa, deixando em aberto outras possibilidades, de acordo com o que o painel considerou, após a divulgação pública do documento e da definição correcta das percentagens por parte do MT.

Os contratos programa teriam uma base anual, uma duração máxima de 3 anos e um financiamento de até 100000€/ano.

  • Desenvolvimento da segurança alimentar e controlo dos produtos regionais
  • Avaliação das potencialidades de exploração de produtos regionais
  • Estudo das potencialidades económicas associadas à economia do mar
  • Desenvolvimento da agricultura biológica
  • Novas tecnologias aplicadas ao sector agro-alimentar
  • Modernização de processos
  • Internacionalização de produtos regionais
  • Modernização do processo tecnológico do Vinho Madeira
  • Desenvolvimento de novos produtos alimentares

Para além da inclusão de outras propostas no âmbito da discussão pública, seriam ainda consideradas em contratos programa as seguintes acções:

  • Encontro internacional bi-anual a realizar na Madeira de divulgação do vinho da Madeira.  Este encontro deveria servir de base para a criação de outras acções de divulgação.  Já está previsto que em 2015 seja realizado na Madeira o encontro da vinicultura atlântica (envolvendo Madeira, Açores e Canárias).  Será realizado em 2013 nas Canárias.
  • Criação de um Centro de Tecnologia (laboratórios) no Madeira Tecnopólo para a instalação de equipamento de uso (e exploração) comum pelos investigadores da Madeira. Para além dos equipamentos, este Centro deveria ter acesso a um laboratório de microbiologia (laboratório regional existente) ou em caso de impossibilidade, deveria incluir a instalação de uma laboratório especifico de microbiologia dada a sua importância na qualidade alimentar.  Deveria ainda incluir equipamento de elevado porte de que se sugere, sequenciador DNA, ICPMS, LCMS, …
  • Aquisição de equipamentos de elevada tecnologia no Madeira Tecnopolo.  A Madeira dispõe de uma capacidade laboratorial elevada (para a situação actual) mas que se encontra dispersa e foi dimensionada para actividades específicas, muito ligadas às imposições regulamentares.  No âmbito da criação de uma plataforma tecnológica através do MT, as capacidades laboratoriais da região deveriam ser complementadas, sem prejuízo e em complemento ao existente.
  • Remodelação de instalações laboratoriais existentes, tendo em conta a modernização e a adaptação às crescentes exigências.

Projectos de consórcio (65%) – 22, 96M€

Dada a experiência existente, é proposta que a principal fonte de dinamização da IDTI na Região seja feita através de projectos de consórcio, envolvendo uma ou mais entidades e incluindo sempre um laboratório de investigação e inovação.  A verba alocada a estes projectos (22,96M€) permite considerar 30 a 40 projectos durante o período em estudo, que envolveriam a inovação empresarial, incluindo a realização de protótipos e a internacionalização.  Esta dinâmica viria a criar as condições para que as entidades envolvidas se candidatassem a futuros projectos europeus.

São apresentados de seguida alguns exemplos do levantamento feito entre os elementos do painel, que não excluem novas propostas ou a sua reformulação na altura devida.

  • Estudos da estabilidade de bebidas alcoólicas.  Já há estudos realizados ou em curso sobre algumas das bebidas feitas na Madeira.  Muitos destes produtos não tinham um estudo de suporte à sua data de validade, o que limita a sua comercialização e exportação.  Alguns dos trabalhos em curso envolvem a ECM
  • Melhoria Tecnológica de Processos. Já existem estudos realizados no caso do vinho Madeira e há interesse em aplicar a outros produtos (a ECM mostrou interesse). Pretende-se nestes projectos criar condições para acompanhar tecnicamente os processos existentes para encontrar condições de melhoria.
  • Estudo da preservação de produtos alimentares.  Ideia de projecto lançada no painel insere-se na melhoria tecnológica de processos mas tem como principal objectivo estudar a preservação dos alimentos de modo a melhorar o seu tempo de vida e a sua comercialização, incluindo a internacionalização dos produtos.
  • Revisão das formulações de bebidas alcoólicas.  Incluem-se nestes projectos análises técnicas sobre o uso de aditivos alimentares que possam alterar os produtos habituais. Têm sido feitos alguns estudos relativos à cor mas pretende-se alargar esses estudos tendo em vista o uso de aditivos admitidos e a eventual substituição de aditivos caídos em desuso.
  • Elaboração de novos produtos alimentares e caracterização das respectivas qualidades nutricionais. Existe um projecto em curso (SIM) de valorização de um produto regional. A experiência deverá ser alargada a outros produtos. O projecto em curso prova também que a colaboração entre as entidades do tecido económico e os grupos de investigação capazes de acompanhar esses estudos é extremamente eficaz.
  • Inovação no controlo de processos com o desenvolvimento de sistemas de controlo on-line.  Incluem-se nesta linha de projecto a necessidade crescente de aumentar o controlo on-line de processos, recorrendo a sistemas simples de controlo. Já existem trabalhos em curso e há a intenção de um aumento crescente em todo o sector agro-alimentar.

Apoio à transferência de tecnologia. A região tem capacidade para implementar tecnologias já existentes, mas deve promover a aprendizagem das que possam trazer vantagens competitivas para a região e o envolvimento de investigadores. Incluem-se nestes projectos o estudo de tecnologias que possam dinamizar o tecido económico da região e a criação do conhecimento base para as trazer e implementar com sucesso, evitando que sejam criados projectos não sustentáveis.

Recomendações finais

Tendo em conta o exposto acima para a área da Tecnologia e Inovação Industrial, recomenda-se:

  • A criação no tecnopólo de uma plataforma tecnológica de apoio ao sector industrial. No caso da área da Tecnologia e Inovação Industrial essa plataforma deveria incluir empresas, laboratórios regionais e investigadores da universidade.  Sendo de integração voluntária, cada participante deveria especificar que recursos humanos e técnicos poderiam integrar a plataforma.
  • A criação no MT de espaços laboratoriais com capacidade de realização de projectos e instalação de pequenas empresas da área.  Como laboratórios de apoio o MT deveria ter um laboratório de equipamentos de elevados custos (sugere-se sequenciador DNA, ICPMS, LCMSMS, liofilizadores, fermentadores …) que complementassem de forma sustentada os equipamentos necessários aos investigadores da região.  Esses laboratórios deveriam ainda incluir um laboratório de microbiologia (imprescindível para a área alimentar), excepto se um outro laboratório já existente fosse integrado na plataforma.
  • O MT deveria constituir um Conselho científico com elementos das várias áreas de investigação prioritárias na Madeira para dinamizar o lançamento e supervisão de novas acções.
  • O MT deveria estabelecer como princípio apoiar através da plataforma e equipamentos a participação da Madeira em projectos tecnológicos a nível europeu.

O MT deveria ainda promover a formação de um “cluster” da área agro-alimentar, englobando áreas afins como a sustentabilidade ambiental.

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