Referencial estratégico futuro

Nesta secção descrevemos um conjunto de objectivos, sugestões e estratégias que os diferentes membros do painel identificaram como sendo prioritário no estabelecimento de uma estratégia coerente para o horizonte temporal 2014-2020. Abaixo incluímos muitas das sugestões e preocupações que já tinham sido previamente expressas durante a realização do World Café.

O painel considerou também que antes de ser definida uma estratégia para o futuro, deverá ser estabelecido um ponto de situação concreto sobre o que foi realizado ao nível da I&D na Madeira, numa lógica de aprender com os erros. Alguns membros do painel consideraram ser pertinente enumerar todos os projetos de I&D realizados na Madeira, que verbas (comunitárias e do orçamento regional) foram gastas e aferir concretamente quais foram os resultados provenientes desses investimentos. Apesar de a verba gasta  ser inferior à média do país e da Europa, é necessário saber quais os resultados efetivos em cada um dos projetos e de que forma contribuíram para o desenvolvimento regional.

Um dos membros identificou também o facto de haver seis entidades a fazer investigação em áreas ligadas ao mar (Direcção de serviços de Investigação e Pescas; Museu de História Natural do Funchal; Estação de Biologia Marinha do Funchal; Centro de Maricultura da Calheta, Centro de Ciências Matemáticas: Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha). Acredita-se que se deva aprender a tirar o máximo partido do mar para potenciar a economia regional, contudo será necessário uma concertação de esforços nesses sentido e não tamanha dispersão como está a acontecer.

Objectivos 2014-2020

Sem surpresas, e refletindo a multidisciplinaridade inerente à área das TIs, os objectivos variam consoante a organização. Por exemplo a EEM tem como objectivos principais o desenvolvimento dos seus processos de negócio, maximizando a utilização das ferramentas já implementadas, com vista a otimizar os seus custos e capacidade de resposta aos clientes; o desenvolvimento das componentes de Asset Management e Cost Analyses utilizado como base todos os projetos apresentados anteriormente; Promover a integração de Sistemas entre as várias áreas da empresa; aprofundar a capacidade de Business Intelligence.

Por outro lado, uma organização como o M-ITI, encontra-se interessada expandir a compreensão da experiência humana com as tecnologias interativas através de investigação fundamental e aplicada, com inovação e capacidade de resposta a necessidades do mundo real através de uma colaboração multidisciplinar baseada em inúmeras perspectivas. A visão do Madeira-ITI inclui a ambição de ser um centro de investigação e ensino pós-graduado de excelência, internacionalmente reconhecido, avançando simultaneamente o desenvolvimento estratégico da Universidade da Madeira e da Região Autónoma da Madeira através de soluções e abordagens com impacto económico e com avanços significativos a nível da investigação. Para concretizar esta visão, o Madeira-ITI tem construído colaborações nacionais e internacionais, tem realizado parcerias com a indústria e com outros centros de investigação e desenvolvimento, assim como com outras instituições de ensino superior.

Talvez seja importante o trabalho de clarificação do que é I&DT+i e a sua divulgação junto das principais entidade públicas e privadas da Região. Com um pouco de trabalho, daremos um salto significativo na I&DT regional. Pelo contrário, se pretendemos criar uma mentalidade de I&DT na região que proporcione um sector económico mais competitivo no futuro, então não deveríamos falar apenas em percentagem de PIB e focar na quantidade de centros de investigação mas também em número de entidade envolvidas (mesmo que apenas como caso de estudo). Seja qual for o objectivo de maior peso, certamente será preciso ter uma estratégia de promoção e divulgação da I&DT regional junto do sector económico da região e da população em geral.

Segundo as projecções enviadas para 2020, e assumindo-se um PIB constante para facilitar as contas, pretende-se

  • aumentar o investimento total em I&DT+I de 14M euros em 2009 para 153M euros em 2020 => acréscimo aproximado de 1.000%
  • aumentar o investimento da empresa em I&DT+I de 1,5M euros em 2009 para 76,5 M euros em 2020=> acréscimo aproximado de 5.100%
  • aumentar o investimento do Ensino Superior e Estado de 12M euros para 43 M euros=> acréscimo de 360%

Se tivermos em conta a realidade empresarial da região, fortemente apoiada no Turismo e na Construção, que são atividades que envolvem um número muito reduzido de trabalhadores com formação superior; um sector de comércio concentrado em poucas entidades com fraca concorrência entre si; um sector indústria muito virado para o consumo interno, com exceção da produção do vinho Madeira, o painel não esconde a sua preocupação em relação a onde é que se prevê que surja o acréscimo de investimento anual de 75M euros?

De uma forma geral, parece-nos óbvio que as áreas em que se deverá apostar devem ser aquelas em que na nossa dimensão, e com o pouco investimento e incentivos comunitários que se consigam obter, se possa efetivamente conseguir resultados que contribuam de forma clara para o desenvolvimento da economia regional.

Os projectos Internet – claramente destinados ao mercado global – assumem natural relevo. Aqui é importante que os mesmos sejam acompanhados de promoção e lobby forte junto de players internacionais. Achamos que esta área é fundamental porque com pequenos investimentos pode-se aceder ao mercado global.

1 – Sustentabilidade – TIs para o desenvolvimento sustentável é uma das prioridades de topo no Horizonte 2020, dado o potencial das TIs para aumentar a qualidade de vida. Contribuir para o desenvolvimento de comportamentos, práticas e produtos/serviços sustentáveis é particularmente saliente dada a natureza isolada e preservada da RAM. Como exemplo temos o Logica Service Design Lab, que colabora com o M-ITI na exploração de novos modelos de serviços para a sustentabilidade.

2 – Cultura, Ensino e Arte Digital – Rápida expansão da utilização das TIs no ensino, arte e cultura. Existem esforços já realizados na RAM nesta área, com muitos projetos pioneiros. O uso das TIs permite a descoberta do potencial escondido na arte, ensino e cultura, a possibilidade de novos investimentos nesta área é grande.

3 – Turismo – Nesta área que é aquela que mais contribui para o PIB regional, pensamos que deverá ser contemplada com verbas para apostar em projetos que possam contribuir para o seu desenvolvimento e maior divulgação internacional. O factor diferenciação está a faltar neste sector, pois não temos nada que nos destaque de outros destinos semelhantes. Tem de se pensar em como se poderá atrair mais jovens a fazer turismo na Região e o que poderemos fazer para nos destacarmos claramente de outros destinos semelhantes.

Para finalizar o painel foi unânime na importância em dinamizar e agilizar a forma como são atribuídos os fundos às entidades que pretendam investir em I&D pois desde a entrada da candidatura até ao dinheiro entrar na conta passa mais de um ano. Ora com a velocidade a que as coisas acontecem, em particular na área das TIs, um determinado projeto que hoje é válido, daqui a um ano pode já não o ser.

Outros problemas foram ainda identificados pelo painel:

  • O acesso ao financiamento existe mas a avaliação do potencial de um determinado negócio é pouco rigoroso e resulta, em algumas situações, em falência prematura desse mesmo negócio;
  • O processo de acesso ao financiamento é moroso e muito burocrático, criando muitas vezes ruído que prejudica a atividade e descredibiliza o próprio financiamento;
  • Não existe uma estratégia de alto nível para trazer grandes empresas para a Madeira nas TIs, nem promoção das startups nestas grandes empresas.
  • Não existe incentivo à competitividade (num alto nível), essencial para desenvolver a região numa determinada área de negócio;

Não existe uma combinação inteligente de competências nos centros de negócio nem especializações em áreas de desenvolvimento e sucesso garantidos;

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