Promoção da investigação aplicada e sustentabilidade socioeconómico

A área será sempre condicionada pela ultraperiferia, pela escala e pelo fraco investimento, mas estas debilidades poderão ser compensadas pelas mais-valias que representam os ganhos em termos de bioeconomia e de sustentabilidade da região. No entanto, pretende-se dar resposta às prioridades comunitárias (nomeadamente do Horizon 2020) que apontam para a necessidade criar e diversificar a economia junto do mercado, a fim de melhorar a sustentabilidade e a bioeconomia. Novas áreas de negócio com potencial de crescimento, que dependem da I&D e dos biorrecursos para o seu crescimento, poderão surgir ou desenvolver-se, nomeadamente a pesca alternativa, a agricultura biológica, o agroturismo, a bioprospecção, as tecnologias verdes. A pesca é uma das atividades bioeconómicas desenvolvidas com base na exploração de recursos renováveis marinhos, onde a investigação se tem centrado no apoio direto à gestão do setor, devendo reorientar-se para a utilização equitativa dos recursos naturais disponíveis. Todos os esforços de investigação aplicada na área da biodiversidade e sustentabilidade devem possuir um claro entendimento que a biodiversidade terrestre e marinha em geral e a agrodiversidade e recursos piscícolas em particular, são fundamentais para fazer face aos desafios da sustentabilidade, da qualidade e segurança alimentar, do bem-estar, e da adaptação às alterações climáticas, que a humanidade e a Região têm pela frente, e a RAM em particular depende dos recursos naturais endógenos para criar um modelo de desenvolvimento sustentável adequado à sua dimensão.

A transferência de conhecimento na área é outra condição para a sustentabilidade e o seu incremento permitiria transformar o conhecimento produzido em tecnologias e produtos de interesse para as empresas e/ou ser utilizado na criação de spin-offs. A maioria das parcerias de investigação aplicada consegue, quanto muito, melhorar métodos, processos ou produtos já existentes, e raramente cria algo verdadeiramente inovador. Neste contexto, a região possui já alguma experiência no desenvolvimento, registos e proteção de recursos genéticos. Para além do interesse dos investigadores em aplicar e valorizar os resultados dos seus conhecimentos, as empresas e a indústria na Madeira depende da inovação para poder competir globalmente, apesar da aversão ao risco e à inovação. Fator limitante à inovação é o desconhecimento em geral que as empresas regionais têm da investigação que é realizada na área, e/ou a falta de recursos para investir em inovação. É proposta a criação de um catálogo para divulgação das iniciativas das várias entidades de I&D, incluído as suas áreas de trabalho e serviços que podem prestar. A criação de um centro de transferência de tecnologia/conhecimento que juntasse entidades de I&D e stakeholders, atraindo potencialmente empresas e investimento de fora da Madeira, a exemplo da Biocant (www.biocant.pt) ou da TTZ (www.ttz-bremerhaven.de).

Adicionalmente, o painel considera, que para efeitos de investigação e prestação de serviços à comunidade deveriam existir mecanismos de discriminação positiva dos grupos de investigação regionais no acesso aos contratos de prestação de serviços e/ou de desenvolvimento tecnológico na área. Estas medidas de discriminação positiva deveriam ser acompanhadas de mecanismo de avaliação, que atestassem a capacidade técnico-científica dos grupos contratados. Esta prestação de serviços permitiria criar emprego, rentabilizar os recursos humanos e materiais existentes, mantendo e aplicando endogenamente recursos financeiros e assegurando o fornecimento de serviços especializados às empresas da Região.

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